Sermão (trecho) sobre a Confissão – Pe. José do Prado Leles

[N]a situação que estamos vivendo hoje… – ainda que a Igreja peça para que voltem com as confissões! – …o que fizeram da Confissão? Fizeram uma terapia! O padre senta num banco, a pessoa senta de lá, no outro banco. Tem gente que tem a capacidade de falar: “Padre, eu queria bater um papo com o senhor”! Ora, não existe sacramento do bate-papo! A Confissão (…) era feita num lugar sagrado, o Confessionário… Nem temos mais os confessionários… jogaram tudo fora! Pois se quer que fique o padre numa “salinha” ali… uma hora, para atender uma só pessoa! E você não consegue perceber arrependimento. Culpa? Todo mundo tem culpa! Até os ateus sentem culpa com alguma coisa que é feita de errado. Mas tem que ter arrependimento! Mas a pessoa não manifesta a vontade de mudar de vida. Não existe conversão. Até inventaram agora – fiquei sabendo por esse tempo – existe agora um “Pastoral da Escuta”. Ora, banalizou-se tanto o sacramento que a pessoa vai fazer uma terapia… vai sentar com outro leigo e “vamos conversar…”. Reduziu-se o amor a Deus ao amor ao homem. Acham que a nossa vida aqui na terra é para sempre. Então vamos adorar a nós mesmos! A verdadeira idolatria do ser humano! Tudo voltado para o próprio homem. Quando se colocam às vezes uns cantores para se ajudar a louvar a Deus, voltam-se para o povo e passam a fazer um show, e todos ficam adorando-se e contemplando-se uns aos outros. Esquece-se que o centro da nossa vida deve ser Jesus Cristo, Nosso Senhor. Que o Salvador é Nosso Senhor e não o homem!

Muitas vezes [o fiel] procura o padre porque este fala de um certo jeito que agrada, no Sacramento da Penitência… O padre é um pecador como todos os outros. Nosso Senhor usa desse indivíduo para se fazer presente porque não podemos ver Nosso Senhor. Então, o padre age in persona Christi. Ou seja, não é porque o padre é santo é que eu vou ser perdoado. Mas Deus utilizou-se desse homem – fraco, frágil – para ser sinal de perdão para todos. (…) Não façamos do Sacramento da Penitência uma terapia… Claro que o veneno, quando é engolido, para se salvar a vida deve ser vomitado; por isso, o modo de se jogar fora [implica] de certo modo uma ação psicológica, no sentido de que ajuda a pessoa a perceber, na humildade diante de um outro homem – que não é um homem comum, mas que age na pessoa de Cristo – o perdão de seus pecados.

(…) o arrependimento perfeito, o desejo de não voltar cometer mais os mesmos erros, a vergonha de ter ofendido ao nosso Pai, ao nosso Criador, que nos amou e nos ama muito. É isso o principal, a vontade de não voltar mais a pecar (…).

Peçamos, irmãos caríssimos, a Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos ajude nessa Quaresma a não fazer só essa penitência externa, não rasgar as nossas vestes mas rasgar o nosso coração, para que assim Nosso Senhor, habitando nos nossos corações, nos ajude a vencer as dificuldades da vida, as dificuldades por que passa a Igreja e, assim, podermos caminhar juntos até o encontro definitivo com Nosso Senhor. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.