Meditações por São João Bosco – O Paraíso

Desejo, meus filhos, que tenhais diariamente um pouco de meditação. Por isso, aqui ofereço alguns curtos pensamentos para cada dia da semana, e espero que os lereis com atenção, caso não tenhais outro livro mais apropriado.

“Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração por Vos ter ofendido; peço-vos a graça de compreender as verdades que vou meditar e de inflamar-me de amor por Vós. Virgem Santíssima, Mãe de Jesus, rogai por mim”.

O Paraíso

1º)- Quanto mais espanta a consideração do Inferno, tanto mais consola a do Paraíso, que foi preparado por Deus para todos os que O amam e servem na vida presente.

Para fazeres uma idéia dele, imagina uma noite serena.

Que belo é o céu, com tanta multidão e variedade de estrelas!

Umas são maiores que outras; enquanto algumas delas aparecem pelo Oriente, outras desaparecem no Ocidente, sendo muito variadas no que diz respeito ao tamanho, cor, etc.

Mas todas elas se movem, na imensidão do espaço, com admirável harmonia e segundo a vontade de Deus, seu Criador.

Imagina ademais que a luz do sol te deixe ver durante um belo dia a lua e as estrelas que há no firmamento; imagina também tudo o que há de precioso no mar, na terra, nos diversos países, nas cidades e nos palácios dos reis e monarcas de todo o mundo; acrescenta a isto as mais finas bebidas, os alimentos mais saborosos, a música mais doce, a harmonia mais suave… Pois tudo isso é nada, comparado com a excelência dos bens e dos gozos do Paraíso!

Quanto devemos desejar a posse daquele lugar, onde se gozam todos os bens, sem mescla alguma de mal!

A alma bem-aventurada só poderá exclamar: “Eu me saciarei com a visão da vossa glória” (Sl 16,15).

2º)- Considera, ademais, a alegria que tua alma sentirá ao entrar no Paraíso.

Sairão a recebê-la teus parentes e amigos, e ali verás a nobreza e beleza dos Querubins e Serafins, de todos nos Anjos e de todos os Santos, que em multidão louvam a seu Criador.

Verás também os Apóstolos, o imenso número de Mártires, Confessores e Virgens, e ademais uma grande multidão de jovens que se conservaram puros e por isso cantam a Deus um hino de glória inefável.

Oh, quanto gozam naquele Reino os bem-aventurados! Estão sempre alegres, pois não padecem o menos sofrimento, nem penas que venham turbar sua paz e contentamento.

3º)- Observa ademais, filho, que tudo isso não é nada em comparação com o grande consolo que sentirá a alma ao ver a Deus.

Ele consola os Bem-aventurados com seu olhar amoroso e derrama em seu coração torrentes de delícias.

Assim como o sol ilumina e embeleza todos os objetos aonde chega sua luz, assim Deus ilumina com sua presença todo o Paraíso e cumula seus felizes habitantes com prazeres inexprimíveis.

NEle, como num espelho, verás todas as coisas, gozarás de todos os prazeres da mente e do coração.

Quanto, no Monte Tabor, São Pedro viu uma única vez o rosto de Jesus radiante de luz, foi cumulado de tanta doçura, que fora de si exclamou: “É bom para nós estar aqui!” (Lc 9,33)

Que alegria será então o contemplar, não por um instante, mas para sempre, a vista daquela face divina que apaixona os Anjos e os santos, e que embeleza todo o Paraíso!

E a formosura e a amabilidade de Maria, de quanto gozo inundará o coração dos bem-aventurados! “Como são amáveis as tuas moradas, Senhor Deus dos Exércitos!” (Sl 83,2).

Por isso, todos os coros de Anjos e todos os Bem-aventurados cantarão a sua glória, dizendo: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos! A Ele toda a honra e toda a glória, por todos os séculos dos séculos”.

Coragem, pois, meu filho! Algo terás que sofrer neste mundo, mas não importa! O prêmio que te espera no Paraíso compensará infinitamente todos os males que tenhas padecido na vida presente.

Que consolo será o teu quando te encontrares no Céu em companhia de parentes e amigos, dos Santos e dos Bem-aventurados, e puderes exclamar: “Estou salvo e estarei para sempre com o Senhor!”

Então bendirás o momento em que deixaste o pecado, em que fizeste uma boa confissão e começaste e freqüentar os Sacramentos.

Bendirás o dia em que, deixando as más companhias, te entregaste à virtude. E, cheio de gratidão, te voltarás a teu Deus e Lhe cantarás louvores e glórias por todos os séculos dos séculos.

Assim seja.

07

(retirada do livro o Jovem Instruído)

Anúncios

Meditações por São João Bosco – A eternidade das penas

Desejo, meus filhos, que tenhais diariamente um pouco de meditação. Por isso, aqui ofereço alguns curtos pensamentos para cada dia da semana, e espero que os lereis com atenção, caso não tenhais outro livro mais apropriado.

“Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração por Vos ter ofendido; peço-vos a graça de compreender as verdades que vou meditar e de inflamar-me de amor por Vós. Virgem Santíssima, Mãe de Jesus, rogai por mim”.

A eternidade das penas

1º)- Considera, meu filho, que se caíres no Inferno, dele jamais saíras. Nele se padecem todas as penas, e todas elas para sempre.

Passarão cem anos, mil anos, e o Inferno estará apenas começando; passarão cem mil anos, cem milhões de anos, milhões de milhões de anos e de séculos… e o Inferno estará ainda apenas começando.

Se um Anjo anunciasse a um condenado que Deus haveria de livrá-lo do Inferno depois de passar tantos milhões de séculos como gotas de água que há no mar, ou folhas de árvores e grãos de areia no mundo, essa notícia lhe causaria logo um consolo indizível. “É certo, exclamaria, que é imenso o número de séculos que sofrerei, afinal, haverá um dia em que eles acabarão”.

Mas, ai! passarão esses milhões de séculos e uma infinidade de outros, e o Inferno estará sempre apenas começando.

Cada condenado quereria poder dizer a Deus: “Senhor, aumentai quanto quiserdes minhas penas, e fazei-me permanecer aqui o tempo que quiserdes, contanto que me deis a esperança de ver este suplício acabar um dia! Mas não! Esse término e essa esperança jamais chegarão.

2º)- Se ao menos o condenado pudesse iludir-se a si mesmo, pensando consigo: “Quem sabe se Deus algum dia terá piedade de mim e me tirará deste abismo!”

Mas, não! Jamais abrigará esta esperança! O condenado terá sempre presente a sentença de sua condenação eterna: “Este tormentos, este fogo, estes horríveis gritos, eu os terei para sempre”.

Sempre, verá escrito nas chamas que o devoram. Sempre, na ponta das espadas que o transpassam; Sempre, nas horríveis fisionomias dos demônios que o atormentam; Sempre, naquelas portas fechadas que jamais se abrirão para ele!

Ó eternidade, ó abismo sem fundo! Ó mar sem limites! Ó caverna sem saída! Quem não tremerá pensando em ti? Ó maldito pecado, que tremendos suplícios preparas para quem te comete! Ah! Basta de pecados, basta de pecados em toda a minha vida!06

3º)- O que deve encher-te de espanto é pensar que essa horrível fornalha está sempre aberta debaixo de teus pés e que basta um único pecado mortal para cair nela.

Compreendes, meu filho, isto que lês? Um pecado que cometes com tanta facilidade merece uma pena eterna. Uma blasfêmia, uma profanação dos dias festivos, um furto, um ódio, uma palavra, um ato, um pensamento obsceno, bastam para condenar-te às penas do Inferno.

Ah! Meu filho, ouve atentamente o meu conselho; se a consciência te censura de algum pecado, vai imediatamente confessar-te para principiar logo uma boa vida; põe em prática todos os conselhos do teu confessor e se for necessário faz uma confissão geral; promete fugir das ocasiões perigosas, das más companhias, e se Deus te chamar a deixar o mundo, obedece-Lhe com prontidão.

Tudo o que se faz para evitar uma eternidade de tormentos é pouco, é nada: “nenhuma segurança é excessiva quando está em jogo a eternidade”, escreveu São Bernardo.

Oh! Quantos jovens na flor da idade abandonaram o mundo, a pátria, a família e foram sepultar-se nas grutas e desertos, não vivendo senão de pão e água, às vezes só de algumas raízes!… E tudo isso para evitarem o Inferno!

E tu, o que fazes, depois de merecer tantas vezes o Inferno pelo pecado?

Lança-te aos pés de teu Deus e diz a Ele: “Senhor, vede-me pronto a fazer tudo o que quiserdes; já Vos ofendi demais até agora; de hoje em diante não Vos quero mais ofender; enviai-me, se preciso, todos os males nesta vida, desde que possa salvar minha alma”.

(retirada do livro o Jovem Instruído)