Homilia-Festa da Sagrada Família (Áudio e texto)

 

TEXTO

Com algumas alterações e coisas incluídas (os versículos correspondentes às frases, por exemplo).

O que o calendário moderno celebrou no fim de dezembro, a Tradição celebra hoje a festa da Sagrada Família e o Batismo do Senhor no dia 13, tradicionalmente.

Celebrando, portanto, a Sagrada Família, nós temos a Família de Nazaré, Jesus, Maria e José. A Família de Nazaré não é a família ideal, porque a família ideal que nós imaginamos é a família sem sofrimentos, sem as angustias de uma família, sem as perdas, sem as dores, então não é a família ideal a de Nosso Senhor, é a família modelo, é o modelo para nós, a família de Nosso Senhor. Lembrando que, na Criação, Deus faz o homem e de seu lado tira uma costela e faz à mulher. Deus viu que não era bom que o homem esteja sozinho.

Quando Adão viu a mulher disse: “Esta é ossos dos meus ossos, carne da minha carne” (Gn 2,23). Deus entregou a mulher a Adão e disse “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,22). Logo, portanto, na Criação, Deus instituiu o matrimônio. Portanto, a vocação ao matrimonio está no amago do ser humano. O desejo da família lhe é próprio, o querer ter uma família. Isso Deus já coloca desde o início [no ser humano].

Mas logo depois do pecado, o matrimônio já começa a entrar, de certo modo, na destruição. Notem vocês, que quando Deus viu que adão estava incomodado porque percebeu-se nu, Deus pergunta “Quem te disse que estavas nu?” (Gn 3,11). Claro que esta nudez não era somente física, mas a consciência da perda da graça. E Adão logo já disse: Foi a mulher, que me deu por esposa, que me deu o fruto e eu comi. Começou ali as desavenças no matrimônio. E logo depois, todos nós sabemos o que acontece com o matrimonio, vários problemas como prostituição, poligamia, poliandria, e outras “ias”.

Mas notemos sempre que a criação está vinculada à família. Nosso Senhor poderia ter vindo a este mundo, sendo Deus, aparecido no meio de nós. Mas não quis. Ele quis restaurar a Criação dentro da família. Nosso Senhor quis nascer numa família para restaurar assim a grandiosidade desta realidade, que é do querer divino.

No mundo em que vivemos, não é preciso que eu fale, que todo conflito, todos os problemas da sociedade que vivemos, está intimamente ligada com a destruição da família. Não há, de certo modo, no meio da sociedade, nenhuma motivação, para aquilo que o matrimonio é. A motivação que se encontra, muitas vezes, para mantê-lo são sentimentos. Quando se pergunta por que se acabou o casamento, a resposta é “Porque se acabou o sentimento. ” Ninguém fundamenta o matrimonio em sentimento. Sentimento é próprio do animal, e, portanto, passa. O fundamento do matrimonio está no amor que não passa, porque o amor sendo uma realidade divina, quando participamos, possuímos esta parte, esta realidade, a vivenciamos, não fazemos, claro, pela parte do animal, porque nenhum animal ama, a não ser o homem. Portanto, o fundamento do matrimonio está no amor.

Para que o matrimonio se realize de modo querido por Deus, deve-se sempre imaginar a família como uma casa. Para se construir uma casa, o mais importante de tudo é o alicerce, Porque se não tem fundamento, a casa vem a ruir, Nosso Senhor diz “aquele que não constrói sua casa sobre a rocha, quando vier os vendavais ela irá para o chão, pois foi construída na areia.” (Mt 7, 26-27). Qual é a rocha? Só existe uma: Nosso Senhor. Não se constrói um casamento apartado de Deus. Quem tenta fundamentar uma vida de família sem Deus, está fadado à ruina.

Alguns dos fiéis não entendem porque namorar. Porque não se namora a dois, mas a três: o casal e Jesus Cristo. Triste daquele que acha que vai conseguir, com facilidade, manter uma família, criar seus filhos como filhos de Deus, se casando com uma pessoa que não tem fé, que não fundamenta a sua vida em Nosso Senhor. Impossível. Por isso o alicerce da família deve ser Nosso Senhor. A casa para ser construída são necessários tijolos. O ligame, aquilo que mantém os tijolos unidos um ao outro, São Paulo nos fala na Epístola “Tende em vós a caridade, que é o vínculo da perfeição” (Col 3,14). Sem caridade não tem como manter esta casa de pé. A caridade, todos nós sabemos, é o amor de Deus. É ela que alimenta todas as outras virtudes. E São Paulo vai citando outros exemplos, como o perdão. É interessante a palavra perdoar, que vem de perdonare; donare significa se dar, perdoar significa “se dar.” Triste daquele que se casa para sentir-se bem, para realizar a sua própria vontade. Casa-se para fazer o outro feliz. Casa-se, não para realizar seus próprios anseios, para sentir, como que um só corpo “ carne da minha carne, osso do meu osso”. Assim como eu devo cuidar do meu corpo tem que haver um cuidado pelo outro. Nosso Senhor tirou a mulher do lado porque ela é a companheira, os dois caminham juntos. E essa casa, para ter sentido, ela precisa de um teto, e esse teto é a vida eterna. Uma família que não crê nessa vocação que receberam nesse mundo, como algo dado por Deus, em função da vida eterna, está perdida. Para isso, esta casa tem de ter janelas para dar claridade, e a luz que ilumina essa casa é a Palavra de Deus. E é com ela que irão conseguir vencer todas as dificuldades da caminhada da vida matrimonial.

O Matrimonio, sendo uma vocação, algo instituído por Deus, deve ser entendido por nós, que a Evangelização nos dias de hoje, não se faz sem passar pela família, é impossível. É necessário, continuamente, que lutemos para salvar as famílias destes conceitos modernistas de que o matrimonio é para a felicidade. “Aquele que quiser seguir-me tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Isso é para todos nós cristãos e também para aquele que assume a vocação do Matrimonio. É triste ver que os jovens casam como se estivessem brincando de casinha. Aí se pode inventar um monte de coisas, porque tudo é fantasia. O casamento, no entanto, não é fantasia. É algo que deve ser assumido por pessoas adultas, maduras, portanto, como a Sagrada Família, que assume sua vocação, e coopera deste modo na obra da redenção da humanidade, aqueles que foram chamados à vida matrimonial, sejam também exemplos, para serem realmente católicos. Pois ser católico não é simplesmente dizer que foi batizado, mas isso exige de nós um compromisso de fé. Porque existe a fé intelectual, a fé do conhecimento das verdades, mas, acima de tudo, é necessário este encontro pessoal com Nosso Senhor e ele se faz dentro da nossa vocação, a que ele nos chamou.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

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