Liturgia Diária- 28/02/2017

MISSA DA FÉRIA

Féria de 4ª Classe- Missa comum do Domingo da Quinquagésima


LEITURAS/LESSONS

Epístola (I Cor 13, 1-13)

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios.

Irmãos, Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade.

Evangelho (Lc 18, 31-43)

Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas.

Naquele Tempo, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém. Tudo o que foi escrito pelos profetas a respeito do Filho do Homem será cumprido. Ele será entregue aos pagãos. Hão de escarnecer dele, ultrajá-lo, desprezá-lo; bater-lhe-ão com varas e o farão morrer; e ao terceiro dia ressurgirá. Mas eles nada disto compreendiam, e estas palavras eram-lhes um enigma cujo sentido não podiam entender. Ao aproximar-se Jesus de Jericó, estava um cego sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. Ouvindo o ruído da multidão que passava, perguntou o que havia. Responderam-lhe: É Jesus de Nazaré, que passa. Ele então exclamou: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim! Os que vinham na frente repreendiam-no rudemente para que se calasse. Mas ele gritava ainda mais forte: Filho de Davi, tem piedade de mim! Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Chegando ele perto, perguntou-lhe: Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja. Jesus lhe disse: Vê! Tua fé te salvou. E imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus. Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus.

In English

Epistle (II Corinthians 13: 1-13)

Lesson from the Epistle of Blessed Paul the Apostle to the Corinthians.

Brethren: If I speak with the tongues of men and of angels, and have not charity, I am become as sounding brass or a tinkling cymbal. And if I should have prophecy, and should know all mysteries, and all knowledge; and if I should have all faith so that I could remove mountains, and have not charity, I am nothing. And if I should distribute all my goods to feed the poor, and if I should deliver my body to be burned and have not charity, it profiteth me nothing; Charity envieth not, dealeth not perversely, is not puffed up, is not ambitious, seeketh not her own, is not provoked to anger, thinketh no evil, rejoiceth not in iniquity, but rejoiceth with the truth: beareth all things, believeth all things, hopeth all things, endureth all things. Charity never falleth away; whether prophecies shall be away; whether prophecies shall be made void, or tongues shall cease, or knowledge shall pass be destroyed. For we now in part, and we prophesy in part. But when that which is perfect is come, that which is in part shall be done away. When I was a child, I spoke as a child. I understood as a child I thought as a child. But when I became a man, I put away the things of a child. We see now through a glass in a dark manner; but then face to face. Now I know in part; but then I shall know even as I am known. And now there remain faith, hope, and charity, these three; but the greatest of these is charity.

Gospel (Luke 18: 31-43)

The continuation of the holy Gospel according to Luke.

At that time Jesus took unto Him the twelve and said to them :’ Behold, we go up to Jerusalem, and all things shall by accomplished which were written by the Prophets concerning the Son of Man. For He shall be delivered to the Gentiles, and shall be mocked and scourged and spit upon: and after they have scourged Him, they will put Him to death, and the third day He shall rise again.’ And they understood none of these things, and the word was hid from them, and they understood not the things that were said. Now it came to pass, when He drew nigh to Jericho, that a certain blind man sat by the wayside begging. And when he heard the multitude passing by, he asked what this meant. And they told him that Jesus of Nazareth was passing by. And he cried out, saying : ‘Jesus, son of David, have mercy on me.’ And they that went before rebuked him, that he cried out much more : ‘Son of David, have mercy on me.’ And Jesus standing, commanded him to brought unto him. And when he was come near, He asked him, saying : ‘What wilt thou that I do to thee?’ But he said: ‘Lord, that I may see.’ And Jesus said to him: ‘Receive thy sight, thy faith hath made thee whole.’ And immediately he saw and followed Him, glorifying God. And all the people, when they saw it, gave praise to God.

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Liturgia Diária- 27/02/2017

SÃO GABRIEL DE NOSSA SENHORA DAS DORES, Confessor

Festa de 3ª Classe- Missa Própria

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Nascido a 1838 em Assis, na Itália, dentro de uma família nobre e religiosa, recebeu o nome de batismo Francisco, em homenagem a São Francisco.

Na juventude andou desviado por muitos caminhos, e era dado a leitura de romances, festas e danças. Por outro lado, o jovem se sentiu chamado a consagrar-se totalmente a Deus, no sacerdócio ministerial. Mas vivia ‘um pé lá, outro cá’. Ou seja, nas noitadas e na oração e penitência.

Aos 18 anos, desiludido, desanimado e arrependido, entrou numa procissão onde tinha a imagem de Nossa Senhora. Em meio a tantos toques de Deus, ouviu uma voz serena, a voz da Virgem Maria, que dizia que aquele mundo não era para ele, e que Deus o queria na religião.

Obediente a Santíssima Virgem, na fé, entrou para a Congregação dos Padres Passionistas. Ali, na radicalidade ao Evangelho, mudou o nome para Gabriel, e de acordo também com a sua devoção a Nossa Senhora, chamou-se então: Gabriel da Dores.

Antes de entrar para a Congregação, já tinha a saúde fraca, e com apenas 23 anos partiu para a glória, deixando o rastro da radicalidade em Deus.

Em meios as dores, São Gabriel viveu o santo Evangelho.

LEITURAS/LESSONS

Epístola (I João 2, 14-17)

Leitura da Epístola de São João.

Irmãos, eu vos escrevo, a vós, jovens, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o Maligno. Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.

Evangelho (Mc 10, 13-21)

Sequência do Santo Evangelho segundo Marcos. 

Naquele tempo, apresentaram crianças a Jesus para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam. Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. E m verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará.” Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos. Tendo ele saído para se pôr a caminho, veio alguém correndo e, dobrando os joelhos diante dele, suplicou-lhe: “Bom Mestre, que farei para alcançara vida eterna?” Jesus disse-lhe: “Por que me chamas bom? Só Deus é bom. Conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não furtes; não digas falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe.” Ele respondeu-lhe: “Mestre, tudo isto tenho observado desde a minha mocidade.” Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: “Uma só coisa te falta; vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.

In English

Epistle (I John 2: 14-17)

Lesson from the Epistle of blessed John the Apostle.

Dearly beloved : I write unto you, young men because you are strong, and the word of God remaineth in you, and you have overcome the evil. Love not the world nor the things that are in the world. If any man love the world, the charity of the Father is not in him: for all that is in the world is the concupiscence of the flesh and the concupiscence of the eyes and the pride of life: which is not of the Father, but is of the world. And the world passeth, and its concupiscence. But he who doeth the will of God abideth for ever.

Gospel (Mark 10: 13-21)

The continuation of the holy Gospel according to Mark. 

At that time: They offered to Jesus little children, that He should touch them. But the disciples rebuked them that offered them. Whom, when Jesus saw, He was angered and said to them: “Suffer little children to come to Me, and forbid them not, for of such is the Kingdom of God. Amen I say to you, whosoever shall not receive the kingdom of God as a little child, shall not enter into it.” And embracing them, and laying His hands upon them. He blessed them. And when He was gone forth into the way, a certain man running up and kneeling before Him, asked Him, Good Master, what shall I do that I may receive life everlasting? And Jesus said to him, “Why callest thou Me good? None is good but one, that is God. Thou knowest the commandments: Do not commit adultery, do not kill, do not steal, bear false witness, do no fraud, honor thy father and mother.” But he answering, said to Him: Master, all these things I have observed from my youth. And Jesus looking on him, loved him, and said to him: “One thing is wanting unto thee: go, sell whatsoever thou hast, and give to the poor, and thou shalt have treasure in Heaven; and come, follow Me.”

Conciliábulo feito por Lúcifer no inferno após a morte de Cristo- Irmã Maria Jesus de Ágreda

Texto extraírdo da obra de Irmã Ágreda por San Miguel Arcángel, traduzido por Frei Zaqueu

 

Nota: com este texto confio, por obediência, minhas traduções e mesmo a colaboração com os blogs católicos que ofertaram sua aquiescência ao meu trabalho, à pessoa de meu conhecimento e confiança. Ora em diante, o professor Airton Vieira assume o que a mim foi confiado por Deus nesse pequeno período e que, com gratidão, o devolvo às Suas mãos. O estilo literário, bem como o fio condutor, o posso dizer, é o de “gêmeos siameses”. Daí que meus leitores lendo-o, poderão ler-me. E louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo e sua mãe Maria Santíssima pelos talentos confiados. Que tudo, por fim, seja feito à Sua maior glória, ao nosso bem e de toda a Santa Igreja. Que assim seja!

 Frei Zaqueu


Aos meus leitores: Posso-lhes assegurar que esta leitura ou nunca a fizeram, ou muito poucos, e se não a fazem agora é muito possível que jamais a façam. Pois bem, em suas mãos deixo estas linhas, e não exagero no que vou dizer: pode que o destino eterno de suas almas esteja em que leiam esta publicação. Esclareço que não é uma leitura para almas frívolas, mas para almas que de verdade buscam a perfeição. As frívolas nada entenderão nem saberão degustar a beleza, que acompanha a toda verdade, e sempre causa o bem nas almas. NICKY PÍO.


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A caída de Lúcifer com seus demônios do monte Calvário ao profundo do inferno, foi mais turbulenta e furiosa que quando foi lançado do céu. E ainda que sempre aquele lugar é terra tenebrosa e coberta das sombras da morte, de caliginosa (tenebrosa) confusão, de misérias, tormentos e desordem, como diz o santo Jó: mas nesta ocasião foi maior sua infelicidade e turbação; porque os condenados receberam novo horror e pena acidental com a ferocidade e encontros com que baixaram os demônios, e o despeito que os raivosos manifestavam. Certo é que não têm poder no inferno para pôr as almas à sua vontade em lugares de maior ou menor tormento; porque isto o dispensa o poder da divina justiça, segundo os deméritos de cada um dos condenados, e que com esta medida sejam atormentados. Mas, além da pena essencial, dispõe o justo Juiz que possam sucessivamente padecer outras penas acidentais em algumas ocasiões; porque seus pecados deixaram no mundo raízes e muitos danos para outros que por sua causa se condenam, e o novo efeito de seus pecados não retratados lhes causa estas penas. Atormentaram os demônios a Judas com novas penas, por ter vendido e procurado a morte a Cristo. E conheceram então que aquele lugar de tão formidáveis penas, onde lhe haviam posto, era destinado para castigo dos que se condenassem com fé e sem obras, e os que desprezassem intencionalmente o culto desta virtude e o fruto da redenção humana. E contra estes manifestam os demônios maior indignação, como a conceberam contra Jesus e Maria.

Logo que Lúcifer teve permissão para isto e para levantar-se do aterramento em que esteve algum tempo, procurou intimar aos demônios sua nova soberba contra o Senhor. Para isto os convocou a todos, e posto em lugar eminente lhes falou, e disse: A vós, que por tantos séculos seguistes e seguireis minha justa parcialidade em vingança de meus agravos, é notório o que agora tenho recebido deste novo Homem e Deus, e como por espaço de trinta e três anos me enganou, ocultando-me o ser divino que tinha, e encobrindo as operações de sua alma, e alcançando de nós o triunfo que obteve com a mesma morte que para destruí-lo lhe procuramos. Antes que tomasse carne humana lhe aborreci, e não me sujeitei a reconhecê-lo por mais digno que eu e de que todos lhe adorassem como superior. E ainda mais que por esta resistência fui derrubado do céu convosco, e convertido na fealdade que tenho, indigna de minha grandeza e formosura; mas mais que tudo isto me atormenta encontrar-me tão vencido e oprimido deste Homem e de sua Mãe. Desde o dia que foi criado o primeiro homem os tenho buscado com desvelo para destruí-los; e se não a eles, a todos seus feitos, e que nenhum lhe admitisse por seu Deus nem lhe seguisse, e que suas obras não resultassem em benefício dos homens. Estes têm sido meus desejos, estes meus cuidados e esforços; mas em vão, pois me venceu com sua humildade e pobreza, me quebrantou com sua paciência, e ainda me derrubou do império que tinha no mundo com sua paixão e afrontosa morte. Isto me atormenta de tal maneira, que se a ele lhe derrubasse da destra de seu Pai, onde já estará triunfante, e a todos seus redimidos os trouxesse a estes infernos, ainda não ficasse meu ódio satisfeito, nem se aplacasse meu furor.

É possível que a natureza humana, tão inferior à minha, aconteça de ser tão levantada sobre todas as criaturas![1] Que há de ser tão amada e favorecida de seu Criador que a juntasse a si mesmo na pessoa do Verbo eterno! Que antes de executar-se esta obra me fizesse guerra, e depois me quebrantasse com tanta confusão minha! Sempre a teve por inimiga cruel; sempre me foi aborrecível e intolerável. Oh homens tão favorecidos e presenteados do Deus que eu aborreço, e amados de sua ardente caridade! Como impedirei vossa dita? Como os farei infelizes qual eu sou, pois não posso aniquilar o mesmo ser que recebestes? Que faremos agora, oh vassalos meus? Como restauraremos nosso império? Como cobraremos forças contra o homem? Como poderemos já vencê-lo? Porque se de hoje em diante não são os mortais insensíveis ingratíssimos, se não são piores que nós contra este Homem e Deus que com tanto amor os redimiu, claro está que todos lhe seguirão a porfia; todos lhe darão o coração e abraçarão sua suave lei; nenhum admitirá nossos enganos; aborrecerão as honras que falsamente lhes oferecemos, e amarão o desprezo; quererão a mortificação de sua carne, e conhecerão o perigo dos deleites; deixarão os tesouros e riquezas, e amarão a pobreza que tanto honrou seu Mestre; e a tudo quanto nós pretendamos excitar seus apetites, lhes será aborrecível por imitar seu verdadeiro Redentor. Com isto se destrói nosso reino, pois ninguém virá conosco a este lugar de confusão e tormentos; e todos alcançarão a felicidade que nós perdemos; todos se humilharão até o pó, e padecerão com paciência, e não se logrará minha indignação e soberba.

Oh infeliz de mim, e que tormento me causa meu próprio engano! Se lhe tentei no deserto serviu para dar-lhe ocasião a que com aquela vitória desse exemplo aos homens, e que no mundo lhe fosse tão eficaz para vencer-me. Se lhe persegui, ocasionou o ensino de sua humildade e paciência. Se persuadi a Judas que lhe vendesse, e aos judeus que com mortal ódio lhe atormentassem e pusessem na cruz, com estas diligências solicitei minha ruína, e o remédio dos homens, e que no mundo ficasse aquela doutrina que eu pretendi extinguir. Como se pode humilhar tanto o que era Deus? Como sofreu tanto dos homens, sendo tão maus? Como eu mesmo ajudei tanto para que a redenção humana fosse tão copiosa e admirável? Oh que força tão divina a deste Homem, que assim me atormenta e debilita! Aquela minha inimiga, sua Mãe, como é tão invencível e poderosa contra mim? Nova é em pura criatura tal potência, e sem dúvida a participa do Verbo eterno, a quem vestiu de carne. Sempre me fez grande guerra o Todo-poderoso por meio desta Mulher tão aborrecível à minha altivez, desde que a conheci em seu sinal ou ideia. Mas se não se aplaca minha soberba indignação, não me dispo de fazer perpétua guerra a este Redentor, a sua Mãe e aos homens. Eia, demônios de meu séquito, agora é o tempo de executar a ira contra Deus. Chegai todos a conferir comigo por que meios o faremos, que desejo nisto o vosso parecer.

A esta formidável proposta de Lúcifer responderam alguns demônios dos mais superiores, animando-o com diversos arbítrios que fabricaram para impedir o fruto da redenção nos homens. Concordaram todos em que não era possível ofender à pessoa de Cristo, nem minguar o valor imenso de seus merecimentos, nem destruir a eficácia dos Sacramentos, nem falsificar nem revogar a doutrina que Cristo havia pregado; mas que não obstante tudo isto convinha que, conforme às novas causas, meios e favores que Deus havia ordenado para o remédio dos homens, se inventassem ali novos modos de impedi-los, pervertendo-os com maiores tentações e falácias. Para isto alguns demônios de maior astúcia e malícia, disseram: Verdade é que os homens têm já nova doutrina e lei muito poderosa, têm novos e eficazes Sacramentos, novo exemplar e Mestre das virtudes, e poderosa intercessora e advogada nesta nova Mulher; mas as inclinações e paixões de sua carne e natureza sempre são as mesmas, e as coisas deleitáveis e sensíveis não se têm mudado. Por este meio, acrescentando nova astúcia, desfaremos, enquanto é de nossa parte, o que este Deus e Homem tem obrado por eles; e lhes faremos poderosa guerra procurando atraí-los com sugestões, irritando suas paixões, para que com grande ímpeto as sigam, sem atender a outra coisa; e a condição humana, tão tímida, embaraçada em um objeto, não pode atender ao contrário.

Com este arbítrio começaram de novo a repartir tarefas entre os demônios, para que com nova astúcia se encarregassem como por quadrilhas de diferentes vícios em que tentar aos homens. Determinaram que se procurasse conservar no mundo a idolatria, para que os homens não chegassem ao conhecimento do verdadeiro Deus nem da redenção humana. Se esta idolatria faltava, arbitraram que se inventassem novas seitas e heresias no mundo; e que para tudo isto buscassem os homens mais perversos e de inclinações depravadas que primeiro as admitissem, e fossem Mestres e cabeças dos erros. E ali foram fraguadas no peito daquelas venenosas serpentes a seita de Maomé, as heresias de Ário, de Pelágio, de Nestório, e quantas se têm conhecido no mundo, desde a primitiva Igreja até agora, e outras que têm maquinadas, que nem é necessário nem conveniente referi-las. Este infernal arbítrio aprovou Lúcifer, porque se opunha à divina verdade, e destruía o fundamento da saúde humana, que consiste na fé divina. Aos demônios, que o promoveram e se encarregaram de buscar homens ímpios para introduzir estes erros, os louvou e acariciou, e os pôs a seu lado.

Outros demônios tomaram por sua conta perverter as inclinações das crianças, observando as de sua geração e nascimento. Outros de fazer negligentes seus pais na educação e doutrina dos filhos, ou pôr demasiado amor, ou aborrecimento, e que os filhos aborrecessem seus pais. Outros se ofereceram a pôr ódio entre os maridos e mulheres, e facilitar-lhes os adultérios, e desprezar a justiça e fidelidade que se devem. Todos concordaram em que semeariam entre os homens rancores, ódios, discórdias e vinganças, e para isto os moveriam com sugestões falsas, com inclinações soberbas e sensuais, com avareza e desejo de honras e dignidades, e lhes proporiam razões aparentes contra todas as virtudes que Cristo havia ensinado; e sobretudo divertiriam os mortais da memória de sua paixão e morte, e do remédio da redenção, das penas do inferno e de sua eternidade. E por estes meios lhes pareceu a todos os demônios que os homens ocupariam suas potências e cuidados nas coisas deleitáveis e sensuais, e não lhes restaria atenção nem consideração às espirituais, nem às de sua própria salvação.

Ouviu Lúcifer estes e outros arbítrios dos demônios, e respondendo disse: com vossos pareceres fico muito obrigado, todos os admito e aprovo, e tudo será fácil de alcançar com os que não professarem a lei que este Redentor deu aos homens. Mas nos que a admitam e abracem, dificultosa empresa será. Mais nela e contra estes pretendo estreitar minha sanha e furor, e perseguir acerbissimamente aos que ouvirem a doutrina deste Redentor e lhe seguirem; e contra eles há de ser nossa guerra sangrenta até o fim do mundo. Nesta nova Igreja hei de procurar sobremaneira semear minha cizânia, as ambições, a cobiça, a sensualidade e os mortais ódios, com todos os vícios de que sou cabeça. Porque se uma vez se multiplicam e crescem os pecados entre os fiéis, com estas injúrias e sua pesada ingratidão irritarão a Deus para que lhes negue com justiça os auxílios da graça que lhes deixa seu Redentor tão merecidos; e se com seus pecados se privam deste caminho de seu remédio, segura teremos a Vitória contra eles. Também é necessário que trabalhemos em tirar-lhes a piedade, e tudo o que é espiritual e divino; que não entendam a virtude dos Sacramentos, ou que os recebam em pecado, e quando não o possuam, que seja sem fervor nem devoção; pois como estes benefícios são espirituais, é mister admiti-los com afeto de vontade, para que tenha mais fruto quem os usar. E se uma vez chegarem a desprezar a medicina, tarde recuperarão a saúde, e resistirão menos a nossas tentações; não conhecerão nossos enganos, esquecerão os benefícios, não estimarão a memória de seu próprio Redentor, nem a intercessão de sua Mãe; e esta feíssima ingratidão os fará indignos da graça, irritando seu Deus e Salvador que a negará. Nisto quero que todos me ajudeis com grande esforço, não perdendo tempo nem ocasião de executar o que os mando.

Não é possível referir os arbítrios que maquinou o dragão com seus aliados nesta ocasião contra a santa Igreja e seus filhos, para que estas águas do Jordão entrassem em sua boca. Basta dizer que lhes durou esta conferência quase um ano inteiro depois da morte de Cristo, e considerar o estado que teve o mundo e o que tem depois de haver crucificado a Cristo nosso bem e mestre, e haver manifestado sua Majestade a verdade de sua fé com tantas luzes de milagres, benefícios e exemplos de homens santos. E se tudo isto não basta para manter os mortais no caminho da salvação, bem se deixa entender quanto tem podido Lúcifer com eles, e que sua ira é tão grande, que podemos dizer com São João: Ai da terra, que baixa a vós Satanás cheio de indignação e furor! Mas ai dor!, que verdades tão infalíveis como estas e tão importantes para conhecer nosso perigo, escusando-as com todas nossas forças, estando assim tão apagadas da memória dos mortais com tão irreparáveis danos do mundo! O inimigo astuto, cruel e vigilante; nós dormidos, descuidados e fracos! Que maravilha é que Lúcifer se tenha apoderado tanto do mundo, se muitos lhe ouvem, lhe admitem e seguem seus enganos, e poucos lhe resistem, porque se esquecem da eterna morte que com inculpável indignação e malícia lhes procura? Peço eu aos que isto leiam, não queiram esquecer tão formidável perigo. E se não lhe conhecem pelo estado do mundo e suas desditas, e pelos danos que cada um experimenta em si mesmo, conheça-o ao menos pela medicina e remédios tantos e tão poderosos, que deixou na Igreja nosso Salvador e Mestre, pois não aplicaria tão abundante antídoto se nossa dolência e perigo de morrer eternamente não fosse tão grande e formidável.

“MÍSTICA CIDADE DE DEUS”

 Ano 1888


(NdT) * Irmã María de Jesús de Ágreda – Mística

Nasce: 2 de abril, 1602 em Ágreda (Soria)

Morre: 24 de maio de 1665 no mesmo lugar.

Nome de batismo: María Coronel y Arana

Filha de uma nobre família, Francisco Coronel y Catalina Arana.

Foi religiosa com extraordinários dons místicos.

Padecia “mortes místicas” pelas que permanecia imóvel durante horas imóvel e insensível. Seguidamente experimentava êxtases e levitação. Dizem que também tinha o dom de bilocação.

Estes fenômenos a fizeram suspeita ante o Santo Ofício (Inquisição) mas saiu absolvida. Isso fomentou ainda mais sua fama e até o rei Felipe IV quis conhecê-la.

O Papa Clemente X, em 1765, a declarou Venerável.


Obras

Sua obra mais importante, A Mística Cidade de Deus, sobre a Vida da Virgem, foi, segundo a Venerável, ditado pela Virgem Maria. A escreveu duas vezes. A primeira foi queimada pela própria autora por causa da imposição de um religioso ancião que era contrário a que as mulheres escrevessem sobre temas teológicos, e a segunda versão foi publicada após sua morte.

 
Outras: Cartas a Felipe IV, Escala ascética, Exercícios cotidianos, Exercícios espirituais e Leis da esposa.

 http://www.corazones.org/santos/maria_de_jesus_agreda.htm


Fonte: http://adelantelafe.com/conciliabulo-lucifer-infierno-tras-la-muerte-cristo-sor-maria-jesus-agreda/

[1] Cf. Sl 8