Pentecostes

Exposição Dogmática

A Páscoa e o Pentecostes podem considerar-se realmente pastes integrantes da mesma festa, d festa da vitória de Cristo, da sua entrada triunfal na Glória e do começo da expansão da Igreja iniciado pela descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. A Ressurreição, a Ascensão e o Pentecostes, são partes do mesmo mistério, o Mistério Pascal. “A Páscoa, diz Santo Agostinho, foi o princípio da graça, o Pentecoste o seu remate e coroamento”. Pela Ressurreição, Cristo restitui-nos o direito que havíamos perdido, a vida divina. Na Ascensão, elevou-se ao Céu, para de lá nos mandar o Espírito Santo, e assim entrar na posse do reino que para nós e para Ele conquistou com o seu sangue. A Ascenção é com efeito o reconhecimento oficial dos seus títulos de vitória e constitui para a sua humanidade o coroamento da obra redentora, e para a Igreja o princípio da sua existência e santidade. “A Ascenção, diz D. Guéranger, é o mistério que relaciona e completa o da Páscoa e o do Pentecostes. por um lado consuma a Páscoa, declarando o Homem-Deus vencedor da morte e chefe da Igreja e colocando-o a direita do Pai; por outro, determina a descida do Espírito Santo”; “Este belo mistério delimita aqui na terra os dois reinos divinos – o do Filho de Deus e do Espírito Santo”.

 “Se eu não for não recebereis o Paráclito. Mas eu vou e mandar-vo-lo-ei, diz o Senhor”. O Verbo Encarnado concluiu a missão de que o Pai o incumbira e o Espírito Santo irá da início a sua; que o Pai, não contente ainda em nos dar seu Filho único para nos reconduzir a Si, nos deu também o Espírito Santo para nos santificar. É que o Pai faz tudo, conforme diz Santo Agostinho, por meio do Filho, no Espírito Santo. Toda a obra da Salvação e Santificação se realiza na virtude e pela virtude do Espírito Santo. Foi Ele quem falou pelos profetas, quem cobriu com sua sombra a Virgem Maria e a fez M~e do Filho de Deus, quem desceu sobre o Senhor no Jordão, quem finalmente o conduziu pelo deserto e lhe orientou todos os passos da sua vida terrena. Mas foi sobretudo no dia de Pentecostes, derramando na alma dos Apóstolos a luz a coragem da graça, que assentou no seio da Igreja a grande obra da Santificação. Nele foi a Igreja batizada no Cenáculo, e é o seu eflúvio divino  que continua informar o Corpo Místico de Cristo. “Recebei o Espírito Santo, disse o Salvador ao Apóstolos, e a quem perdoares os pecados lhes serão perdoados”. E a Igreja gosta de repetir estas palavras e de dizer que “é o Espírito Santo o mesmo perdão dos pecados” e do batismo que é ministrado na “água e no espírito”.  “Sai desta alma, diz o ministro, e dá lugar ao Espírito Santo”. Este Espírito cura as nossas almas e as santifica-as com a sua graça, infundindo-nos algo da sua própria vida. O que fez dizer Santo Irineu que, assim como a vida do corpo resulta da união do corpo, assim a vida da alma resulta da união da alma com o Espírito de Deus, união que se estabelece pela graça santificante. Porém, mais ainda, lá onde a graça habita, aí está aquele operário divino que a Igreja chama de “hóspede nosso”.

O Espírito Santo foi dado aos apóstolos para acabar neles e por eles a obra da santificação me iluminação iniciada por Cristo. para esclarecer as inteligências, aquecer e purificar os corações e infundir nas almas a coragem de confessar o nome do Senhor. E esta obra de revigoramento das energias dos espíritos prossegue. Foi o espírito que inspirou os Apóstolos e os escritores sagrados, e é Ele que assegura ao Papa e aos Bispos reunidos e unidos com ele a infabilidade em matéria de fé, que lhes permite continuar na terra a missão do Mestre. É Ele, o Espírito Santo, que dá eficácia aos sacramentos, que perdoa os pecados, que infunde nas almas a vida sobrenatural, que dá a Igreja coesão e unidade, que lhe dá o ser, a alma.

O Espírito Santo é a alma da Igreja. E todos os fiéis vivem ou pelos menos deveriam viver desta alma. É de notar que depois de dizermos no Credo que cremos no Espírito Santo, ajuntamos, E na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, que é o deslumbramento, radioso da santidade perene penetrando o nosso corpo, e na vida eterna, a plenitude da Glória, envolvendo todo o nosso ser para sempre.

Exposição Histórica

Antes de subir ao Céu, o Senhor ordenou os Apóstolos que se não afastassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai, querer dizer, a efusão Espírito Santo. No regresso do monte das Oliveiras, os discípulos, que eram cento e vinte, dirigiram-se para o cenáculo, onde se deixaram estar em oração com as santas mulheres e com Maria, Mãe de Jesus.

Depois desta novena, a mais solene de todas, teve lugar a descida do Espírito Santo, que coincidiu providencialmente com a festa de pentecostes, “com este dia tão grande e santo”, aniversário da promulgação da lei do Sinai. Os estrangeiros, pois, que por este motivo tinham acorrido a Jerusalém, foram foram testemunhas do fato milagroso do Pentecostes Cristão.

“Eram nove horas da manhã, assim diz os Atos dos Apóstolos, quando um ruído se fez ouvir, à maneira de um violento golpe de vento, que encheu toda a casa em que Maria Santíssima e os Apóstolos estavam sentados. E viram aparecer no ar línguas de fogo que desciam em cada um dos presentes, e ficavam cheios do Espírito Santo e falavam várias línguas conforme a monção do Espírito Santo”.

Revestida deste modo com a força do Alto, a Igreja começou em Jerusalém a sua obra de apostolado que o Senhor lhe havia confiado. Pedro, o príncipe dos Apóstolos, toma a palavra perante a multidão atônita e assustada com o que via, e já “pescador de homens” conforme tinha sido prometido pelo divino Mestre, lança a rede, e desta primeira pescaria conquista logo para a pequena Igreja em Jerusalém, três mil almas. No dia seguinte, reuni-se os doze no Pórtico do Templo e como o divino Mestre pregam o Evangelho e curam os doentes. “Assim foi crescendo o número dos que esperavam o Senhor”. Depois saíram para fora da Judeia e foram anunciar primeiro o Evangelho aos Samaritanos e seguida aos Gentios.

Exposição Litúrgica

No quinquagésimo dia após a passagem do Anjo exterminador a travessia do mar vermelho, acampou o povo de Israel no pé do monte Sinai e Deus assim se dignou a lhes dar a sua lei. As festas da Páscoa e do Pentecostes, comemorativas deste duplo acontecimento, eram para os judeus a mais importante do ano. Dezesseis séculos se passaram, a festa da Páscoa é assinalada pela morte e ressurreição do Senhor e a festa de Pentecoste a efusão do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos no Cenáculo. Estas duas festas adotadas pela Igreja, são as mais nobres e antigas do ciclo litúrgico que delas recebeu origem. O Pentecostes, depois da Páscoa, é  maior do ano. Tem vigília e oitava privilegiada. Lê-se os Atos dos Apóstolos, porque é o primeiro dia da dispersão da Igreja, cuja as origens este livro nos relata. É afinal é a imitação do se fez na semana de Páscoa. É uma vida inteiramente nova que começa; convém ler as novas escrituras que narram os primeiros voos. E no Novo Testamento põe de resto o antigo, em plena evidência e demonstra que foi ele a sombra que precedeu a grande realidade que surgiu. Na missa de Pentecostes na da Oitava a lei antiga e a nova, as Sagradas Escrituras e a Tradição, os Profetas, os Apóstolos e os Padres da Igreja fazem eco a palavra do Mestre.

Assim como as diferentes partes de um mosaico, formam um conjunto admirável, que sintetiza a ação do Espírito Santo através dos Séculos. Os paramentos vermelhos nos lembram as línguas de fogo. Antigamente era costume fazer em muitas Igreja fazer cair do teto ao som de Veni Sancte Spiritus uma chuva de rosas vermelhas e soltar dentro do templo uma pomba.

Por vezes, para dar maior impressão da grande realidade que se comemorava, tocava-se trombetas à seqüência. Era sem dúvida para lembrar as trombetas do monte Sinai, ou então o grande ruído que se fez ouvir à descida do Espírito Santo.

A oitava de pentecostes é privilegiada de 1ª Ordem e nela se vê claramente a intenção da Igreja de nos chamar a atenção para o fato culminante que iniciou uma nova era. Há aqui como um convite para orientarmos as nossas leituras e meditações neste sentido. E que tesouros de doutrina se não poderá colher nos textos das missas de toda a oitava.

O Tempo Pascal termina no Sábado de Pentecostes depois de Noa (15 h)


Fonte: http://emdefesadasantafe.blogspot.com.br/2016/05/vigilia-de-pentecostes.html

Tempo da Paixão

Do 1º Domingo da Paixão ao Sábado Santo.

EXPOSIÇÃO DOGMÁTICA

No decurso destas duas últimas semanas da Quaresma, que nos vão levar ao limiar da Páscoa, a Igreja esforça-se por nos fazer reviver consigo as circunstâncias, que prepararam e envolveram a morte do Salvador.
Pelo seu estreito nexo com o Tempo Pascal, o Tempo da Paixão é já uma evocação da nossa redenção pelo sangue de Jesus. Antes de celebrar a ressurreição do Salvador, em que nos são aplicados os frutos da redenção, a Igreja deseja fazer-nos seguir passo a passo o duro combate que Ele teve de travar, para no-la merecer. O longo retiro da Quaresma termina, deste modo, no contemplação do combate singular que conseguiu arrancar o homem ao pecado, e merecer-lhe a salvação. Evocação essencial e consoladora. O nosso esforço pessoal de retificação e reparação não é posto de parte, mas o seu valor e eficácia derivam, exclusivamente, da sua união à Paixão d’Aquele que tomou sobre Si os pecados do mundo e os expiou. Em virtude da solidaderiedade misteriosa, que existe entre todos os membros da imensa família humana, Jesus, filho de Deus feito homem, substitui os seus irmãos culposos. “Fez-se pecado por nós”, diz São Paulo, “para carregar sobre seus ombros o fardo dos nossos pecados, até ao alto da Cruz.”
Mas Cristo triunfa, imolando-se. Triunfa do mal e de Satã, e vinga os direitos de Deus sobre o mundo. O demônio, “príncipe deste mundo”, é escorraçado. Realiza-se, enfim, o oráculo de David: “Deus reina pela Cruz”. A meio da Semana Santa, naquela mesma hora, em que, na Sexta-Feira das Trevas, ela se recolhe no luto e na meditação da morte do Salvador, a Igreja convida-nos a prostrar-nos diante da Cruz, para a saudar como fonte da nossa alegria: “Eis o madeiro da Cruz, donde esteve suspenso o preço da salvação do mundo; vinde, adoremo-Lo.” E, imediatamente a seguir, vem um prenúncio da Ressurreição: “Adoramos, Senhor, a vossa Cruz. Louvamos e glorificamos a vossa Ressurreição.”

APONTAMENTOS DE LITURGIA

Vai acentuar-se o caráter austero da Quaresma. A Igreja cobre de véus roxos os crucifixos dos altares e imagens dos santos; na Quinta-Feira Santa, desnudará os altares e imporá silêncio não somente aos órgãos, mas também ao som augusto dos sinos. O interior dos templos, em que tantas graças se distribuem, e em que, ordinariamente, o culto se reveste de fausto, ostenta agora um aspecto de luto desacostumado.

RUBRICAS

I.  As férias da primeira semana da Paixão, são semelhantes às da Quaresma;
II.  Nas Missas do Tempo, omite-se o salmo Judica me; o Gloria Patri no fim do intróito, do lavabo e no responsório de completas, mas não no fim dos salmos;
III.  A Semana Santa tem liturgia própria.

Fonte: http://www.saopiov.org/search?q=tempo+da+paix%C3%A3o#ixzz4cup0rRM0

Tempo da Quaresma

Da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo da Paixão

EXPOSIÇÃO DOGMÁTICA

 O Tempo da Septuagésima já nos demonstrou a necessidade de nos unirmos, pelo espírito de penitência, à obra redentora do Salvador. Pelo jejum e outros exercícios de penitência, a Quaresma vai associar-nos a Ele de maneira efetiva. Mas não há Quaresma que valha, sem esforço pessoal de retificação da vida e de a viver com mais fidelidade, reparando, por qualquer privação voluntária, as negligências de outros tempos. Paralelamente a este esforço, que exige de cada um de nós, a Igreja ergue diante de Deus a cruz de Cristo, o Cordeiro de Deus, que tomou sobre Si os pecados dos homens, e que é o verdadeiro preço da nossa Redenção. À medida que nos aproximarmos da Semana Santa, o pensamento da Paixão tornar-se-á predominante, até chegar o momento de prender por completo a nossa atenção. Já desde o começo da Quaresma, ela nos está presente, e é em união com os sofrimentos de Cristo que o exército cristão vai entregar-se à «santa quarentena», indo ao encontro da Páscoa com a alegre certeza de partilhar da Ressurreição do Senhor.
 “Eis o tempo favorável, eis os dias da Salvação” [II Cor. VI, 2. Epístola do I Domingo da Quaresma]. A Igreja apresenta-nos a Quaresma nos mesmos termos com que a apresentava outrora aos catecúmenos e aos penitentes públicos, que se preparavam para as graças pascais do batismo e da reconciliação sacramental. Para nós, como para eles, a Quaresma deve ser um longo retiro, um treino, em que a Igreja nos exercita na prática de uma vida cristã mais perfeita. Aponta-nos o exemplo de Jesus e, através do jejum e da penitência, associa-nos aos seus sofrimentos, para nos fazer participar da Redenção.
 Lembremo-nos que não estamos isolados, nem somos os únicos em causa nesta Quaresma, que ora se empreende. É todo o mistério da Redenção que a Igreja põe em ação. Fazemos parte dum conjunto imenso, em que somos solidários de toda a humanidade, resgatada por Jesus Cristo. – A liturgia do tempo não se cansará de o recordar. Nas matinas dos Domingos, as lições do Antigo Testamento, começadas na Septuagésima, continuam a lembrar, a largos traços, a história do povo judeu, em que se consignam os desígnios de Deus acerca da salvação de todo o gênero humano: o afastamento de Esaú em benefício de Jacob (não é a linhagem terrestre, mas a escolha gratuita, agora estendida a todas as nações, que faz os eleitos); José, vendido por seus irmãos, e salvando o Egito, é Jesus salvando o mundo, depois de ser rejeitado e traído pelos seus; Moisés, que arranca o seu povo à escravidão, e o conduz à terra prometida, é Jesus que nos liberta do cativeiro do pecado e abre as portas do Céu. Os evangelhos não são menos eloqüentes: a narrativa da tentação de Jesus, mostra o segundo Adão, novo chefe da humanidade, a contas com as astúcias de Satanás, mas esmagando-o com o seu poder divino; a parábola do homem armado e expulso, por um mais forte, do domínio que usurpara, é ainda afirmação da vitória de Cristo.
 Tal é o sentido da nossa Quaresma: um tempo de aprofundamento espiritual, em união com a Igreja inteira, que se prepara para a celebração do mistério pascal. Todos os anos, a exemplo de Cristo, seu chefe, o povo cristão, num esforço renovado, retoma a luta contra a maldade, contra Satanás e o homem de pecado, que cada qual arrasta em si mesmo, para haurir, na Páscoa, um suplemento de vida, renovada nas próprias fontes da vida divina, e continuar a marcha para o Céu.

APONTAMENTOS DE LITURGIA

 O Tempo da Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina no Sábado Santo. Os últimos quinze dias deste longo período constituem o Tempo da Paixão. Outrora, a Quaresma começava no primeiro Domingo, mas os dias que o precedem foram acrescentados para perfazer os quarenta dias de jejum. De contrário, ficaria apenas trinta e seis, visto não se jejuar aos Domingos.
 O jejum de quarenta dias, “inaugurado pela Lei e pelos Profetas, e consagrado pelo próprio Cristo”, foi sempre uma das práticas essenciais da Quaresma. A liturgia a ele alude constantemente, e o prefácio do Tempo recorda-o todos os dias.
 Mas o jejum irá de par com a oração. Como todos os exercícios penitenciais da Quaresma, é oferecido a Deus em união com o sacrifício do Salvador, diariamente renovado na Santa Missa. Cada dia da Quaresma tem Missa própria, devido ao fato de outrora toda a comunidade cristã de Roma assistir diariamente à Santa Missa, durante esta quadra. Daí o indicar-se a «estação», a igreja em que se celebrava, nesse dia, a missa da comunidade romana.
 Todas as missas feriais incluem, depois da pós-comunhão, uma «oração sobre o povo», precedido dum convite à penitência e à humildade: “Baixai vossas cabeças diante de Deus.” O caráter penitencial é acentuado pelo silêncio do órgão. Os paramentos são roxos. À 2ª, 4ª, e 6ª feiras, repete-se o tracto da Quarta-Feira de Cinzas: “Senhor, não nos trateis como merecem os nossos pecados…”
1. Os Domingos da Quaresma são de 1ª Classe. Têm sempre missa e vésperas. A Quarta-Feira de Cinzas e toda a Semana Santa são férias de 1ª Classe e não admitem nenhuma comemoração.
2. A comemoração da féria é privilegiada: faz-se sempre e antes de qualquer outra.
3. As férias das Quatro-Têmporas são de 2ª Classe, e preferidas mesmo às festas particulares de 2ª Classe; as outras férias da Quaresma são de 3ª Classe e preferidas às memórias e às festas de 3ª Classe.
4. As Quatro-Têmporas da Quaresma verificam-se na primeira semana; seguem as mesmas regras das do Advento.
Extraído do Missal Quotidiano de Dom Gaspar Lefevbre (1963). Fonte: Blog Em Defesa da Santa Fé